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A música

Música vocal

 

Para o povo caiçara, as vozes são sempre acompanhadas pelo instrumental e essa interação leva à idéia de prática coletiva, de coesão social e cultural, muito mais do que prática individual. Embora se tenha notícias, em um passado remoto, da existência de cantos solistas desacompanhados - como os romances, cantados em formas narrativas - sabe-se que, na atualidade, raramente se encontram matrizes puramente vocais, como é caso, por exemplo, das orações cantadas. Mesmo os pasquins, quando cantados, se fazem acompanhar de melodias já conhecidas e toques rasqueados de viola.

Foliões de São Benedito. Praia Grande, Capela de São Benedito, Ilhabela, 1994 (foto: Kilza Setti)
Foliões de São Benedito. Praia Grande, Capela de São Benedito, Ilhabela, 1994
(foto: Kilza Setti)

A música vocal, por sua vez, abriga várias categorias: a de versista (que cria versos e puxa a cantoria), a de cantador, ou ”de segunda” (que responde ao versista, em geral a intervalos de terceiras e sextas acima ou abaixo da voz principal), a de contrato (contralto, voz mais grave), a de falsete, a de tipe ou tripe (palavra derivada do latim triplum, que se sobrepõe a intervalos acima da voz principal). O canto caiçara pode ser analisado em vários aspectos: modos de emissão (como, por exemplo, o canto de glote), tipos de articulação da voz, canto de tripe (em Portugal chamado “guincho”), que, em geral, faz oitava acima com o baixo fundamental, o uso da “cadência silábica repetitiva” e outros procedimentos que poderiam até mesmo evocar, eventualmente, técnicas de aprendizado musical jesuítico, algumas mantidas também, e sobretudo, em núcleos de música caipira.

Música instrumental


O lutiê e rabequista José Elias Alves, mostra dois violinos. Centro, São Sebastião, 1984 (foto: Kilza Setti)É notável a forte presença do violino ou rabeca nos sertões e costeiras do litoral norte. Todos os depoimentos levam a crer na ambivalência dos dois termos – rabeca e violino - apesar de os músicos atribuírem, em consenso, uma rusticidade e antigüidade à rabeca, em oposição a um suposto aprimoramento da luteria e “modernização” na fabricação do violino. Esses instrumentos, considerados importantes na hierarquia instrumental, não são vistos, porém, como solistas; exigem, sempre, a participação das violas de dez cordas, pandeiro, caixa, sendo esta última indispensável aos repertórios religiosos. As violas, por sua vez, desempenham importante papel nos fandangos caiçaras (suíte de danças), e também na música religiosa. É possível haver reuniões musicais sem violino, mas nunca sem violas e pandeiros. A luteria e o aprendizado do violino tiveram forte impulso e alguns municípios litorâneos do estado de São Paulo. Em Ubatuba, destaque-se um renascimento de jovens lutiês e rabequistas, após 2000.

O lutiê e rabequista José Elias Alves, mostra dois violinos. Centro, São Sebastião, 1984 (foto: Kilza Setti)



 

 

 

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